Os 10 Melhores Filmes de 2012

74 votantes. 44 filmes indicados. 14 filmes premiados. Esses são somente alguns números (todos recordes) do Blog de Ouro 2013, a premiação da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos que reconheceu A Separação, de Asghar Farhadi, como melhor filme lançado nos cinemas nacionais no ano passado. Ao todo, a produção iraniana foi considerada a melhor em cinco categorias: Filme, Direção, Roteiro Original, Ator Coadjuvante (Shahab Hosseini) e Elenco. Abaixo, um vídeo (disponível em HD) que traz o top 10 da SBBC em 2012, do 10º para o 1º colocado. Que 2013 seja igualmente notável!

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Blog de Ouro 2013: Melhor Filme

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No decorrer de pouco mais de duas horas de duração, A Separação, escrito e dirigido por Asghar Farhadi, nos coloca diante do processo de distanciamento emocional de um casal que, apesar de se amarem e se admirarem, estão querendo coisas distintas para as suas vidas. Enquanto ele está preocupado com o pai, cuja saúde se encontra cada vez mais deteriorada, ela está mais apreensiva com o futuro da filha e quer sair do Irã para oferecê-la uma melhor oportunidade de crescimento e de vida. Farhadi coloca os seus personagens sobre intensa suspeita. Certo e errado ganham dimensões abstratas, à medida que dividem protagonismo e antagonismo a cada reviravolta, mas ganham desconstruções existenciais e políticas em seguida. Um longa sobre pessoas separadas, seja pelo fim de um sentimento, pelo estrato social, pelo estado de saúde ou pela idade; todas, contudo, sujeitas ao mesmo fim. {KAMILA AZEVEDO • PEDRO TAVARES}

Blog de Ouro 2013: Melhor Direção

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Após o brilhante Procurando Elly, o diretor iraniano Asghar Farhadi brinda o cinema com o monumental A Separação, um filme que discute valores morais e sociais com destreza e honestidade. Um questionamento urgente reverbera por toda a obra: quem está com a razão, se personagens opostos apresentam argumentos críveis e razoáveis? Com seu ritmo de perseguição diligente para essa resposta, o diretor varre a poeira que inicialmente encobre os personagens e lança o público em uma história fascinante. A Separação cresce como filme e como história a cada nova cena. O segredo de Farhadi está em sua capacidade de, ao expor sem pré-julgamentos as múltiplas e diferentes razões que motivam as ações de personagens tão díspares, fazer com que o seu filme se pareça tanto com a vida. A exemplo de outros nomes tarimbados do cenário oriental, é um diretor no qual o espectador sempre deve ficar atento aos seus próximos passos. {ELTON TELLES • WALLACE ANDRIOLI • PATRICK CORRÊA}

Blog de Ouro 2013: Melhor Ator

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A grande potência dramática de Shame (e um dos principais motivos para tal película funcionar tão bem) se afirma na devastadora interpretação de Michael Fassbender. O ator é uma escolha acertadíssima para um homem que caminha na tênue fronteira entre o medo e o vazio, evidenciando o talento de um nome que vem se tornando cada vez mais frequente no cinema atual. Ao interpretar Brandon, personagem cujo desenvolvimento se passa, essencialmente, no plano interno e das emoções mitigadas, Fassbender impressiona por sua habilidade em transmitir toda a angústia dele com um mero olhar ou gesto, sempre imbuindo-se da sutileza em sua construção. Além disso, sua coragem em assumir um papel tão desafiador e mostrar-se tão natural em cena já são méritos suficientes para louvar esta atuação. Impecável no papel, talvez seja a melhor performance em sua carreira. {PATRICK CORRÊA • YURI DELIBERALLI • ADÉCIO MOREIRA JR.}

Blog de Ouro 2013: Melhor Atriz

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A profundidade de Precisamos Falar Sobre o Kevin está no silêncio e na sensação que certas situações passam. Contudo, o roteiro não seria o mesmo sem a extraordinária performance de Tilda Swinton. A britânica sempre foi sinônimo de qualidade, só que, aqui, ela alcança o que é, possivelmente, o trabalho mais complexo de toda a sua carreira. Difícil imaginar seu sofrimento ao mergulhar num papel que, basicamente, não tem um momento sequer de alegria. Sem diálogos, a atriz foi capaz de transmitir apenas em mínimas reações todos os seus tormentos de uma mãe que serve injustamente como alvo para as atitudes de seu filho. Tilda tira tudo de letra: econômica em palavras, apresenta notável habilidade ao transmitir sentimentos com uma simples expressão. Um desempenho soberbo. {MATHEUS PANNEBECKER • ALEX GONÇALVES • MATHEUS PEREIRA}

Blog de Ouro 2013: Melhor Roteiro Adaptado

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Drive já se assume como uma experiência diferenciada logo nos créditos de abertura. De cara, a produção nos remete a outra era do cinema, aquela dos thrillers e filmes de ação com protagonistas absolutamente profissionais e frios no exterior, revelando suas emoções graças às atitudes. Adaptado por Hossein Amini a partir do livro de James Sallis, Drive destaca-se pelas referências textuais do roteiro. O personagem central, quando veste sua jaqueta estampada com um escorpião, parece que vira uma outra pessoa, alguém mais forte, mais incisivo. Em certo ponto, até, é citada a parábola do sapo e do escorpião, a qual tem muito a ver com o protagonista da história – um homem de natureza observadora que ataca somente quando se sente acuado. Em um panorama em que está cada vez mais difícil achar algo visualmente estimulante sem que a inteligência do espectador seja ignorada, tal filme chama a atenção por combinar com o devido equilíbrio esses dois fatores. {IVANILDO PEREIRA • KAMILA AZEVEDO • YURI DELIBERALLI}

Blog de Ouro 2013: Melhor Roteiro Original

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Aparentemente simples em narrativa, porém moral, psico e socialmente complexo, A Separação coloca a sociedade iraniana em foco jamais visto em outros filmes. Uma fita sobre um casal em ruínas e sobre todas as consequências desse fato no casal, na filha e em todos ao seu redor. Asghar Farhadi criou um retrato penetrante de desconforto e medo generalizado. Um filme onde todos chantageiam a todos. Uma projeção de verso e reverso, de luz e escuridão, de razão e paixão. E cena após cena, novos detalhes são adicionados, o que muda toda a perspectiva de tudo. Particularmente notável, o roteiro não toma partido de nenhum dos personagens, pelo contrário, todos parecem igualmente certos e errados ao mesmo tempo. Todos presos em uma teia de orgulho e ego, moralidade e religião, dinheiro e honra. Não é somente um retrato da sociedade iraniana, mas de um mundo em constante mudança. Um filme impossível de ser visto sem qualquer tipo de envolvimento. {MAURICIO RIBEIRO • ALEX PIZZIOLO • CIBELE CHACON}