Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos

Grupo formado por blogueiros que dedicam seu espaço à discussão da sétima arte

Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos - Grupo formado por blogueiros que dedicam seu espaço à discussão da sétima arte

SBBCast #2 – Kiko Goifman

A segunda edição da SBBCast conta com uma participação muito especial: o diretor e roteirista mineiro Kiko Goifman abriu a sua casa – literalmente – para um divertido bate-papo com os membros da Sociedade. Formado em Arte e Antropologia com mestrado em Multimeios pela Universidade de Campinas, o cineasta iniciou as atividades com curtas e médias-metragens no início dos anos 90, vindo a realizar o seu primeiro longa em 2003. Intimista, o documentário “33” foi selecionado para vários festivais, incluindo os de Locarno e Roterdã. Em 2008, Kiko Goifman lança seu primeiro longa-metragem de ficção, “FilmeFobia” e, em breve, lança o seu segundo, intitulado “Periscópio”, estrelado por João Miguel e Jean-Claude Bernardet, ator recorrente de seus trabalhos.

Curiosidades no processo de filmagens, referências da literatura e cinema, o jogo do documentário X ficção, o risco do documentário em primeira pessoa virar um gênero em si e a influência da cineasta Claudia Priscilla (sua esposa) foram abordados na conversa, que contou com uma rápida, porém especial participação de seu herdeiro, Pedro Goifman, que já está trilhando os caminhos do cinema.

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Kiko Goifman

 

Participaram do SBBCast #2:

Adécio Moreira Jr (Poses e Neuroses)
Alex Gonçalves (Cine Resenhas)
Elton Telles (Pós-Première)
Julio Pereira (Cineplayers)

 

Ranking: Julho de 2014

O mês de julho costuma ser pouco animador em matéria de cinema. O lançamento em grande escala de alguns blockbusters restringe um número mais amplo de opções no circuito e a qualidade dos títulos exibidos costuma ser inferior comparado a outros meses do ano.

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Sobre “O Grande Hotel Budapeste”:

Manter-se ativo por anos a fio sem flexibilizar sua assinatura por ditames da indústria sem deixar de ser peça fundamental nela já é, por si só, uma razão para elogiar qualquer exemplar da filmografia de Anderson.

Wanderley Teixeira (BA)Wanderley Teixeira, Chovendo Sapos

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Como consequência, tivemos um mês em que somente 11 títulos ultrapassaram a amostragem mínima para entrarem no ranking (os demais títulos podem ser visualizados no primeiro comentário desta postagem). Em contrapartida, há destaques positivos em nosso relatório, marcado com “O Grande Hotel Budapeste”, novo longa-metragem de Wes Anderson assumindo o primeiro lugar.

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Sobre “Planeta dos Macacos: O Confronto”:

Os pontos provocadores de maior admiração na fita, bem como no longa de Rupert Wyatt, residem na profundidade de seus personagens e no peso dado à cada uma de suas atitudes. É assustador notar o quanto sentimos, emocionalmente, quando os primatas são colocados em risco pelos seres humanos.

Leonardo Lopes (SP)Leonardo Lopes, LoGGado

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O segundo lugar foi disputado entre “Planeta dos Macacos: O Confronto” e “O Homem das Multidões”, mas a produção comandada por Matt Reeves levou a melhor por uma diferença mínima. De qualquer modo, o drama codirigido por Cao Guimarães e Marcelo Gomes confirma a boa fase atravessada pelo cinema nacional a partir do segundo semestre deste ano.

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Sobre “O Homem das Multidões”:

O diferencial de O Homem das Multidões — pois cada um desses filmes tem sua forma particular de lidar com o próprio realismo, seja por uma montagem mais brusca ou acrescentando lamentos cantados à diegese — é a profunda melancolia da câmera que observa o personagem.

Cesar Castanha, Milos Morpha

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O mês de julho também marcou o lançamento do canto do cisne do cineasta Alain Resnais, que faleceu em março deste ano. Seu “Amar, Beber e Cantar” aparece bem posicionado, com 75 de média. Por fim, além da falta de novidade em ver um Michael Bay assumindo o último lugar do ranking, julho também trouxe dois cineastas importantes em filmes menores. Com 49 de média, “O Teorema Zero” e “Sem Evidências” decepcionaram os fãs de Terry Gilliam e Atom Egoyan.

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SBBC - Ranking Julho de 2014

Ranking: Junho de 2014

Até então o filme nacional com a maior média (78) nos rankings do primeiro semestre do ano, “Quando Eu Era Vivo” acaba de ter um “colega” para assumir a sua posição. Estreia de Fernando Coimbra na direção de longa-metragem, “O Lobo Atrás da Porta” é o melhor título em nosso ranking de junho e desponta como a melhor produção brasileira do ano.

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Sobre “O Lobo Atrás da Porta”:

Após a marca deixada por O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho, o cinema nacional é brindado com mais um excepcional exemplar de suspense urbano, desta vez, trocando o bairro de classe média alta do Recife pelo subúrbio da Cidade Maravilhosa.

Elton Telles (PR)Elton Telles, Pós-Première

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Também conquistaram ótimas médias outros dois lançamentos. Exibido em circuito restrito, “Uma Vida Comum” ficou em segundo lugar por uma diferença mínima, enquanto “Como Treinar o Seu Dragão 2″ conseguiu ultrapassar a média de “Vidas ao Vento” (78), então a melhor animação do ano até esta edição dos rankings mensais.

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Sobre “Uma Vida Comum”:

Nesta coprodução entre Inglaterra e Itália, definitivamente um dos melhores filmes do ano, a preservação da memória e o medo do esquecimento são tratados com uma singularidade dilacerante, palpável, transformando a mera ficção em algo capaz de enternecer o coração e a alma por um longo tempo.

Alex Gonçalves (SP)Alex Gonçalves, Cine Resenhas

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Nas demais posições, é importante mencionar “Avanti Popolo”, aclamado pela maioria dos bloqueiros cinéfilos (79 de média) e última aparição do saudoso cineasta Carlos Reichenbach como ator. O relatório também mostra cinco filmes abaixo da média, estando “Transcendence – A Revolução” e “Oldboy – Dias de Vingança” ocupando, respectivamente, a penúltima e última posições no ranking.

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Sobre “Como Treinar o Seu Dragão 2″:

É especialmente interessante o modo como a trama parte da situação mais pessoal e limitada do primeiro filme para discutir conceitos mais amplos, inclusive inserindo questões ambientalistas de um modo natural e nada panfletário. Aliás, um dos grandes trunfos do filme é justamente tocar em temas profundos – como autodescobrimento, escolhas pessoais, tolerância e tantos outros – de modo muito simples, mas não simplório.

Erika Liporaci (RJ)Erika Liporaci, Artes & Subversão

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A Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos encerra aqui todas as suas atividades pertinentes ao primeiro semestre de 2014. Em nossa próxima atualização, teremos a publicação do ranking de julho, devendo ocorrer no fim deste mês.

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SBBC - Ranking Junho de 2014

SBBCast #1 – Silvia Lourenço

A SBBC estreia um novo canal para expandir a comunicação com os leitores: a SBBCast. Sem periodicidade definida, o projeto promete reunir 5 blogueiros cinéfilos para uma conversa de bar. As pautas são variadas, mas tendo sempre o cinema como norte da discussão.

Em cada podcast, teremos com a participação de um convidado. E para inaugurar em grande estilo, contamos com a presença da talentosa atriz Silvia Lourenço, que sustenta no currículo grandes atuações em filmes como “Contra Todos” (2003), “O Cheiro do Ralo” (2006) e “Quanto Dura o Amor?” (2009). Neste ano, Silvia volta às telonas na pele de Margô no elogiado “O Homem das Multidões”, uma codireção de Marcelo Gomes e Cao Guimarães.

No bate-papo, a atriz falou sobre a carreira, o panorama do cinema nacional, seus filmes favoritos de 2014 e comenta seus projetos futuros no cinema, teatro e TV.

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Silvia-Lourenço

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Participaram do SBBCast #1:

Adécio Moreira Jr. (Poses e Neuroses)
Cibele Chacon (Sempre às Moscas)
Elton Telles (Pós-Première)
Erasmo Penteado (Vision de Cinematique)
Felipe André Silva (Pipocracia).

 

Top 10: Philip Seymour Hoffman

Philip Seymour Hoffman

No início do ano, os cinéfilos foram surpreendidos com a prematura morte de um dos mais interessantes intérpretes em atividade. Nascido em Nova York, o ator Philip Seymour Hoffman participou de mais de 60 produções e entregou performances memoráveis, mesmo em filmes menores.

O ator teve justo reconhecimento em 2006 com o Oscar de Melhor Ator na pele do personagem-título em Capote. Mas antes disso, já tinha provado a que veio, tendo trabalhado com diretores do calibre de Paul Thomas Anderson, Spike Lee, Joel e Ethan Coen e Cameron Crowe. Atrás das câmeras, Hoffman assumiu a condução do singelo Vejo Você no Próximo Verão (2010), o qual protagonizou ao lado da atriz Amy Ryan.

Foi uma amostra relativamente pequena, porém robusta, do seu imenso talento. Dói pensar o quão magnífica seria sua carreira se uma maldita overdose de heroína não interrompesse a trajetória do ator, que completaria 47 anos nesta quarta-feira.

Em reconhecimento à sua rica contribuição para o cinema, a Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos presta um singelo tributo a Philip Seymour Hoffman, elegendo as 10 melhores performances do ator. De 29 trabalhos selecionados pelos membros votantes, eis o resultado.

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Actors are responsible to the people we play. I don’t label or judge. I just play them as honestly and expressively and creatively as I can, in the hope that people who ordinarily turn their heads in disgust instead think, ‘What I thought I’d feel about that guy, I don’t totally feel right now’

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 10

por João Paulo Barreto
Película Virtual

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Lester Bangs era a imagem da crítica musical independente. Durante os anos 1970, escreveu para revistas como a Rolling Stone e Creem, onde foi editor após a primeira tentar castrar a sua sinceridade autoral. No cenário jornalístico vendido daquela década, era uma espécie de salvação no quesito integridade profissional. A imagem do jornalista em seus escritos e trajetória era a de que você pode até flertar com o sucesso, mas lembre-se sempre de sua raiz independente. Philip Seymour Hoffman interpretá-lo foi apenas um dos muitos acertos de Cameron Crowe no retrato da cena roqueira setentista em Quase Famosos. Do mesmo modo que Bangs na crítica, Hoffman era a imagem de um cinema que primava por sua independência. Flertou com filmes pipoca, mas sempre voltava à suas origens com Paul Thomas Anderson, sua cara metade artística. Ambos partiram cedo demais. Nós ficamos com a mesmice.

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09

por Thomás R. Boeira
Brazilian Movie Guy

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Último filme que Mike Nichols dirigiu até o momento, Jogos do Poder traz o diretor em ótima forma contando a história de como o congressista norte-americano Charles Wilson ajudou os rebeldes afegãos a derrotar os exércitos soviéticos na década de 1980. No entanto, em um filme que traz um carismático Tom Hanks e uma elegante Julia Roberts, é Philip Seymour Hoffman quem mais se destaca. No papel de Gust Avrakotos, agente da CIA que passa a ajudar Wilson, Hoffman surge com uma intensidade admirável e rouba o filme sempre que aparece, chegando ao ponto de nos fazer sentir falta do personagem quando ele não está em cena. O ator protagoniza os melhores momentos do filme, e sua indicação ao Oscar (a segunda de sua carreira) foi mais do que merecida.

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08por Wallysson Soares

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Após uma série de papéis excêntricos que viriam a consolidá-lo no cinema (e inclusive lhe render um Oscar), Philip Seymour Hoffman interpreta em A Família Savage um homem comum. Com sensibilidade e ternura, resgata em Jon Savage preocupações diante de um pai adoecido e medos particulares que podem ser compartilhados por todos nós. Ao lado da excelente Laura Linney, entrega uma das suas mais sensíveis performances. Aliado ainda por bom roteiro e um personagem riquíssimo em nuances, está contido e conquista sem muito esforço por meio de uma presença em cena já conhecida. Além da maravilhosa química construída com Linney, transmite uma onda de sentimentos com olhares significativos e diálogos bem humorados. Uma pequena joia de filme e uma das atuações mais cativantes desse grande ator.

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07

por Rodrigo Torres
Cineplayers

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A trágica história de ascensão e queda pessoal na aurora da indústria pornográfica de Paul Thomas Anderson é uma obra-prima. Ponto. PTA alcançou esse feito em Boogie Nights – Prazer Sem Limites porque soube usar e abusar de todos os recursos cinematográficos possíveis, com dinamismo e estilo, sem jamais afetar a sensibilidade necessária para que sua premissa funcionasse – e o que acontece é o contrário, sendo tal característica acentuada. Para tal, ele tem a seu serviço um elenco de primeiro time, afinado, à vontade para improvisar e com assustadora profundidade. Isto é uma verdade tamanha que Philip Seymour Hoffman, talvez sexto ou sétimo nome do elenco, vai da excentricidade explícita de um Scotty J. bêbado ao protagonismo de uma cena de profundo apelo dramático, capaz de sintetizar e personificar o período de glória, excessos e ruína que o diretor pretendia emular. Isso acontece porque Seymour Hoffman, com 10 minutos em cena ou tendo um filme inteiro para si, marcou sua história com um comprometimento irrestrito com seus personagens e sua arte, e por isso tornou momentos de um papel de menor destaque – a exemplo da memorável cena de “Eu sou um idiota!” – mais um capítulo marcante de uma carreira brilhante.

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06

por Patrick Corrêa
Impressões de Um Cinéfilo

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Não é fácil ser Caden Cotard. Desafiador para qualquer intérprete, o protagonista de Sinédoque, Nova York está mergulhado em problemas de várias ordens, além de ser assombrado pela decrepitude física e mental. Nas mãos de Philip Seymour Hoffman, ganhou uma estranha verossimilhança em meio às estripulias metalinguísticas de um filme escrito e dirigido por Charlie Kaufman, dado a subversões do cânone narrativo. Ao viver um diretor teatral cuja obra se confunde com a própria vida , Hoffman precisou lançar mão de um arsenal de gestos, olhares e andares que poderiam soar apenas como cacoetes interpretativos, mas burlou esses riscos e entregou um de seus desempenhos mais lapidares em uma trama de abstração crescente para habitar.

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05

por Ivanildo Pereira
O Blog que Não Estava Lá

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De todos os personagens que Philip Seymour Hoffman interpretou nos filmes de Paul Thomas Anderson, o enfermeiro Phil Parma de Magnólia (1999) parece o menos chamativo. No entanto, Phil é um dos personagens-chave do filme. Ele é um observador dos outros dramas maiores, e é graças a ele que ocorre o momento-chave do filme, o reencontro entre Frank, personagem de Tom Cruise, e seu pai, vivido por Jason Robards. Em consequência, é desencadeada a antológica chuva de sapos do fim do filme, evento que muda para sempre as vidas dos outros personagens. A ideia do perdão – “O que podemos perdoar?” – é central para o filme e é trazida à tona por esse personagem, e o diretor percebeu a humanidade do ator ao escalá-lo para o papel.

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04

por Erika Liporaci
Artes & Subversão

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Há um motivo para que Capitu seja a personagem mais discutida de Machado de Assis: a dúvida que paira sobre seu caráter. Vítima atormentada ou mulher fútil e infiel? Em Dúvida, Philip Seymour Hoffman constrói sua interpretação com essa mesma dualidade. Seria o padre Flynn um homem incompreendido ou um pedófilo dissimulado? Hoffman faz com que Flynn pareça alternadamente inocente e culpado: ao mesmo tempo em que seu discurso soa indignado, resta sempre uma centelha de malícia no olhar. Ao final, é provável que continue a dúvida quanto à culpa do personagem, mas também a certeza a respeito do imenso talento desse grande ator que tão cedo nos deixou. Com esta inesquecível atuação, Philip recebeu a terceira de suas quatro indicações ao Oscar.

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03

por Alex Gonçalves
Cine Resenhas

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Um dos cineastas mais importantes da história do cinema, Sidney Lumet teve como “canto do cisne” Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto, um dos melhores títulos de sua vasta filmografia. Tendo dirigido o drama com mais de 80 anos, Lumet demonstrou uma vitalidade invejável e permitiu que todos os componentes de seu elenco entregassem interpretações arrebatadoras. Como a de Philip Seymour Hoffman, que encarna o protagonista Andy com uma fúria nunca apresentada em trabalhos prévios. Repulsivo, Andy não mede esforços para se dar bem na vida, mesmo que para isso seja necessário comprometer toda a sua família, que já experimenta um longo processo de declínio. Eis que entra Philip Seymour Hoffman e a sua capacidade de tornar empático um indivíduo que em nenhum momento apresenta alguma compaixão por todos aqueles que estão ao seu redor.

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02

por Lucas Ravazzano
Cinemosaico

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Em um filme que investiga o fascínio do culto e o modo como ele aprisiona os indivíduos, o personagem de Hoffman é a exata personificação da natureza atraente e controladora deste tipo de organização. Seu Lancaster Dodd é uma construção complexa e cuidadosa, transitando entre a imagem que projeta publicamente do carismático e articulado líder religioso enquanto que intimamente se revela instável e mais interessado no poder e influência que sua seita lhe dá do que em usá-la para trazer algum benefício para os outros. O ator transita de maneira orgânica e sensível entre a persona pública de Dodd e aquilo que poderíamos dizer que é seu verdadeiro eu, nos revelando aos poucos as rachaduras em sua fachada culta e polida e seu interior agressivo e inescrupuloso que age com ferocidade quando questionado.

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01

por  Isabel Wittmann
Estante da Sala

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Capote é baseado na história real a respeito da investigação que Truman Capote realizou para escrever A Sangue Frio, livro que mudou o jornalismo moderno nos Estados Unidos com seu uso de linguagem literária. Na película, Phillip Seymour Hoffman tem espaço para transbordar seu talento no papel título, pelo qual ganhou um merecido Oscar. Nem sempre é fácil a transposição de uma pessoa real para a tela, mas incorporando trejeitos, maneirismo e mesmo a peculiar voz da figura retratada, ele compõe um personagem longe do caricato e extremamente humano. Ainda que falho, a sutileza da interpretação nos leva a ter empatia e compreendê-lo em suas ações. Hoffman transpira Capote em cada poro, com uma atuação impactante que transcende a mera cinebiografia e o confirma como um dos grandes atores de sua geração.

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Ranking: Maio de 2014

Maio foi um mês bem recheado de lançamentos, seja nos cinemas, seja em homevideo, mas somente 1/4 dos lançamentos tiveram a amostragem mínima para encabeçarem o nosso ranking. Por isso mesmo, surpreende que o filme a obter a melhor média seja “Oslo, 31 de Agosto”, que recebeu um lançamento bem restrito no país – em São Paulo, o drama norueguês ficou em cartaz somente por duas semanas.

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Com uma trilha sonora bem utilizada, diálogos realistas e de amplo apelo à cultura pop, elenco bem articulado e um desfecho não tão interessante quanto o seu desenvolvimento (embora seja válido), o filme nos convida a refletir sobre nossas realizações pessoais, afinal, todos já paramos para pensar, ao menos em algum momento, sobre o que construímos até certo ponto e no que se configura a nossa existência.

Luiz Santiago (SP)Luiz Santiago, Plano Crítico

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Mesmo que “Oslo, 31 de Agosto” tenha obtido 80 de média, “Sob a Pele” e “X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido” ficaram, respectivamente, em segundo e terceiro lugar por uma diferença mínima. Extremamente sensorial, o terceiro longa-metragem de Jonathan Glazer, uma adaptação para lá de livre do romance homônimo de Michel Faber, tem potencial para se transformar em uma obra de culto. Já Bryan Singer assegura “X-Men” como a franquia mais competente adaptada dos quadrinhos, embora o resultado de “Dias de Um Futuro Esquecido” esteja um pouco aquém de “Primeira Classe”.

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No fim das contas, Sob a Pele pode ser uma pequena tese sobre o momento da vida em que passamos a acreditar em nossas concepções como válidas e cabíveis, mas a verdadeira fascinação que o filme causa vem de jamais poder estar certo disso. Fato é que ninguém consegue se preparar para uma experiência como essa, ou esquecê-la tão facilmente.

Felipe André Silva (PE)Felipe André Silva, Pipocracia

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Nas demais posições, vale destacar “Mulheres ao Ataque”. Além de ser o lanterninha da vez, a comédia dirigida por Nick Cassavetes é, até o momento, o filme a receber a pior média entre todos os filmes lançados neste ano. Além do mais, “Mulheres ao Ataque” está bem distante de outros filmes abaixo da média, como “Uma Relação Delicada” (52) e “Amante a Domicílio” (50).

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Embora inseridas na medida certa, as cenas de ação não são as responsáveis por boa parte da empolgação gerada por X-Men. Bryan Singer aposta numa atmosfera de tensão permanente, a qual guia todos os filmes da franquia dirigidos por ele, sobretudo através do paralelismo entre futuro e passado.

Júlio Pereira (PE)Júlio Pereira, Cinetoscópio

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Para ver os demais resultados, basta visualizar a tabela disponível a seguir. O ranking de junho, justamente aquele responsável por fechar o primeiro semestre de 2014, deverá ser publicado na primeira segunda-feira de agosto. Aguardem.

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SBBC - Ranking Maio de 2014

 

Ranking: Abril de 2014

Se o ranking de março se mostrou pouco atrativo para os membros da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos, que encontrou poucos títulos das listas de lançamentos que eram dignos de avaliações acima da média, pior resultado se vê no ranking de abril. Em uma lista com mais de 30 filmes submetidos para avaliação, somente 10 ultrapassaram a margem mínima de amostragem.

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Sobre “Cães Errantes”:

Um filme que leva à fadiga emocional, sem qualquer concessão, trilhando um caminho muito pessoal e muito ousado, feito de longas tomadas, cenários estáticos que exploram a imobilidade humana nessa metrópole moderna e cujo cotidiano se conta através de pinturas que parecem fotos (em pouco) movimento.

Mauricio Ribeiro, Spoiler Movies

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Tivemos dois filmes bem elogiados na última edição da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo atingido as primeiras posições do ranking. Em primeiro lugar, temos “Cães Errantes”, anunciado pelo malaio Tsai Ming-Liang como o seu filme de despedida. Em segundo, “Cortinas Fechadas” é a nova produção de Jafar Panahi realizada às escondidas sob prisão domiciliar.

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Sobre “Cortinas Fechadas”:

É um filme doloroso e tristíssimo por isso que representa, ao mesmo tempo que vislumbra uma coragem muito grande em enfrentar uma situação tão difícil. É um filme sobre a impossibilidade de fazer, já fazendo. Não do jeito que se quer, mas na forma daquilo que lhe assalta naquele momento.

Rafael Carvalho, Moviola Digital

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Versão em longa-metragem de “Hoje Eu Não Quero Voltar Sozinho”, produção que se popularizou no Youtube, “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho” atingiu o terceiro lugar do ranking de abril. Cercado de elogios, o drama de Daniel Ribeiro resgata os protagonistas da obra original e conquista um número expressivo de público: com aproximadamente 200 mil ingressos vendidos, “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho” é o maior sucesso da distribuidora independente Vitrine Filmes, que já negociou os direitos de exibição para o mercado internacional.

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Sobre “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”:

Realizado pelo estreante em longas-metragens Daniel Ribeiro, o filme não perde a ternura e sensibilidade exibidas pelo curta no qual foi baseado. Na verdade, pode-se dizer que o longa ganha mais tempo e recursos para explorar as descobertas e amadurecimentos de uma das fases da vida mais complexas e cheias de experimentações.

Cibele Chacon (PR)Cibele Chacon, Às Moscas

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Por conta do número pequeno de produções presentes no ranking de abril, é natural se deparar apenas com duas produções que atingiram uma média abaixo de 60. Se “Divergente” se mostrou um produto irregular para o público juvenil, “Toque de Mestre” não agradou uma boa parte dos fãs de thrillers da Sociedade.

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Ranking Abril de 2014